Tamir, o cara da Beija-Flor, está de volta




Altamir Dias da Silva, ou simplesmente, Tamir, como bom filho retornou à Beija-Flor Nilópolis. Atendendo à convocação da escola, ele reassumiu a supervisão do barracão, onde já havia trabalhado durante longos 20 anos. Primeiramente, no velho galpão, hoje revitalizado para Porto Maravilha, e depois na atual fábrica de Carnaval da Cidade do Samba, onde ficou até 2007, a frente de cerca de 200 operários. Sempre atento aos detalhes de segurança do trabalho, com a vistoria permanente de todos os espaços de risco, já que o material utilizado em alegorias é mormente inflamável, além dos alagamentos decorrentes da chuva tão propícios a reprodução do Aedes aegypti. Foi sempre o primeiro a chegar e o último a sair.

Nos oito anos que se seguiram, Tamir emprestou sua colaboração à escola Saci-pô, campeoníssima de Poços de Caldas, Sul de Minas Gerais, cidade de águas minerais, que foi tema de enredo da Beija-Flor, em 2006. Nesse ínterim, Tamir não negou esforços para contribuir com seu desprendimento no posicionamento da Beija-Flor  na avenida, vindo todos os anos ao Rio para comandar o encaminhamento dos carros alegóricos até à área da concentração e acompanhando toda a preparação desde o acesso da escola na Passarela do Samba até o fim dos desfile. As raríssimas vezes em que esteve ausente dessa transição, que ele considera mais uma honraria do que um compromisso, Tamir conta que sentiu a alma agoniada e o coração inquieto. “É quando a paixão pela escola é maior que tudo”, exalta.

Mais recentemente, em Juiz de Fora, foi setorista responsável pelo supermercado Empório-Bahamas,  a maior unidade da rede Bahamas, onde desfrutou do mesmo prestígio e reconhecimento que sempre fez por merecer da presidência e da diretoria da Beija-Flor de Nilópolis, escola que abraçou de corpo e alma , que lhe ofereceu a primeira oportunidade como aprendiz aos 14 anos, trabalhando no bar da quadra. Ali se consolidou o amor do garoto nilopolitano pela escola que colocou sua terra natal no mapa. Pensando em fazer parte mais intensa dessa história, Tamir viu a possibilidade de concretizar esse sonho, como integrante  da Ala dos Compositores, a qual passou a pertencer a partir de 1985. Foram muitas tentativas para emplacar um samba. Em 2002, foi finalmente sagrado vencedor com o enredo “O Brasil dá o ar da sua graça, de Ícaro à Rubem Berta, o ímpeto de voar”. 

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