Neste sábado (26),  Laíla, diretor de Carnaval da Beija-Flor de Nilópolis, e o sambista- compositor Nêgo serão reverenciados durante o ensaio do Salgueiro, que promete uma noite de muita emoção, a partir das 21h, com grupo Ritmo Total e interação do grupo de passistas, a Bateria Furiosa, sob comando de Mestre Marcão, com os puxadores da academia Serginho do Porto e Leonardo Bessa, abrilhantando mais ainda essa "Noite dos Intérpretes"e homenagens.

Laíla, 50 anos produzindo o CD de samba-enredos 

Nascido e criado na periferia, Luís Fernando 'Laíla' Ribeiro do Carmo chegou ao Salgueiro aos 10 anos, depois de ter criado e comandado sua própria bateria com instrumentos feitos pelos integrantes, todos moleques do Morro do Borel.  

Foi ritmista, integrou a ala de compositores, foi diretor de carnaval e em 1974 gravou o samba “O Rei de França na Ilha da Assombração”. Na avenida, cantou ao lado dos autores Zé Di e Noel Rosa de Oliveira. No ano seguinte, ele gravou e cantou na avenida “As Minas do Rei Salomão”. 

Cooptado, com Joaozinho Trinta, pela Beija-Flor de Nilópolis, Laíla contribuiu, diretamente, para a conquista de diversos carnavais. Inovador criou a comissão de Carnaval, em 1998, e levou o primeiro lugar com "O mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-Anu"
(Samba-enredo composto por Alencar de Oliveira, Baby, Marcão, Noel Costa e Wilsinho Paz). 

Garantiu o primeiro tricampeonato à escola nilopolitana, com "O povo conta a sua história: Saco vazio não para em pé. A mão que faz a guerra faz a paz" (Samba-enredo composto por Betinho, J.C.Coelho, Ribeirinho e Glyvaldo), em 2003, "Manôa, Manaus, Amazônia, Terra Santa: Alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz" (Samba-enredo composto por Claudio Russo, José Luis, Marquinhos e Jessey Beija-Flor) em 2004, e "O vento corta as terras dos pampas. Em nome do pai, do filho e do espírito guarani. Sete povos na fé e na dor... Sete missões de amor" (Samba-enredo composto por J.C. Coelho, Ribeirinha, Adilson China, Serginho Sumaré, Domingos P.S., Sidnei de Pilares, Zequinha do Cavaco, Wanderley Novidade, Jorginho Moreira, Paulinho Rocha e Walnei Rocha) em 2005.  Laíla é  o maior ícone vivo do Carnaval carioca.

Laíla, que completa 50 anos a frente da produção e direção musical dos discos de Sambas-Enredos do GE-12, também é responsável pelo lançamento fonográfico de vários sambistas, entre eles Neguinho da Beija-Flor para quem produzir os quatro primeiro long-plays (discos em vinil com 12 músicas). 


Nêgo, melhor interprete da Era Sambódromo

Edson "Nêgo' Feliciano Marcondes chegou ao Salgueiro em 2001. Ele defendia o samba concorrente ao enredo "Salgueiro no Mar de Xarayés, é Pantanal, é Carnaval”(de Augusto, José Carlos da Saara e Rocco Filho) que venceu a disputa. Nêgo foi convidado pela diretoria para permanecer e levar o samba na avenida. No ano seguinte, permaneceu na vermelho e branco. 

Detentor de cinco "Estandartes de Ouro", prêmio concedido pelo O Globo, como melhor interprete de samba, Nêgo atualmente é o puxador da Leão de Nova Iguaçú, cidade fluminense onde nasceu e escola onde começou sua carreira. Marcou presença na Maravilhosa&Soberana Azul-e-branco de Nilópolis, onde venceu em parceira com seu irmão Neguinho da Beija-Flor, Dicró, Picolé contabilizando seu primeiro campeonato em 1981, com  "Carnaval: a 8ª Maravilha do Mundo', e em 83, somente com Neguinho, ratificou seu talento com "A grande constelação das estrelas negras", enredos sob a inspiração de Joãozinho Trinta.  

Além de passar pelas escolas carioca, Acadêmicos do Salgueiro, Grande Rio, Império Serrano, Viradouro,  Mocidade, Nêgo também puxou sambas-enredo para a Ilha de Marduque, em Uruguaiana, e "Nós, os ritmistas" de Alegrete, municípios do Rio Grande do Sul, cantou na Village no Samba, de Nova Friburgo, Vila Maria de São Paulo, e "Unidos da Alvorada" em Manaus.

Ano que vem, o consagrado intérprete será homenageado pela escola de samba Independente de Nova América, que desfila no Grupo Especial do Carnaval Iguaçuano.
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