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Sambarazzo
No último sábado, 12, Neguinho da Beija-Flor recebeu a galera do Sambarazzo em casa no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio, para a estreia – em grande estilo – do quadro “Sambarazzo Ao vivo”, que leva aos leitores do site, através da página oficial no Facebook, um bate-papo descontraído sempre com um convidado especial do samba e do Carnaval.
E o dono da voz mais famosa da Sapucaí abriu o jogo numa conversa que durou cerca de duas horas. Em pauta, assuntos diversos, entre eles o câncer no intestino que acometeu o autor do grito “Olha a Beija-Flor aí, gente”, em 2008. Apesar do risco de morrer na época, ele prefere olhar para o passadode trauma pelo lado positivo, como um enorme ganho à personalidade, que foi modificada após a doença.
– O câncer foi um mal que veio para o bem. Sem medo de errar, esse câncer veio pra consertar muita coisa. Tô pra dizer que foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Passei a ser mais paciente. Vejo as pessoas brigando no trânsito, porque fez uma pequena barbeiragem, chegam as vias de fato. Meu Deus do céu, o cara tá lá vendendo saúde e arrumando problema a troco de nada. O cara fez questão de uma bobagem… Com o câncer, você vê iss. Foi uma das boas coisas que Deus botou na minha vida esse câncer, sem brincadeira – sacramentou Neguinho, que se curou totalmente do câncer há um ano.
Neguinho revelou que torcia pra outro samba na final da Beija-Flor e, na hora H, não sabia a letra Sem fugir das perguntas mais polêmicas, Neguinho admitiu que na final de samba-enredo só decorou uma das obras finalistas, a dos compositores Diego Oliveira, Marcelo Valência, Menor da Beija-Flor, Julio Assis, Bakaninha e Sandro Chalub, derrotados na disputa. Apesar do esforço, o puxador ainda não sabe de cor o samba vitorioso, um dos mais festejados da safra do Carnaval 2017.
– Decorei mais ou menos. Para ser honesto, eu tinha decorado o samba 4 (dos autores acima citados). Foi uma disputa acirrada. Eu não tinha, dos quatro sambas que foram pra final, pela primeira vez um samba assim…O samba foi escolhido pelo povo mesmo. Não é pouco caso, não. É que são muitas músicas na cabeça’. Esse samba foi escolhido pela comunidade e no dia da final. Uns diziam que era o samba 4, o 11, ou o 10… O 10 (composto por Bruno Ribas e parceiros) foi escolhido pelo povo. Segundo os especialistas de Carnaval, é um dos sambas que vão acontecer em 2017 – afirmou.
No embalo, o cantor revelou que leva uma ‘colinha’ para o carro de som na Sapucaí
No dia do desfile, muitos sambas acabam surgindo à mente do veterano intérprete. É quando ele recorre a uma estratégia infalível para não “pagar mico” na Avenida:
– A comunidade já aprendeu o samba, e o intérprete não. Mas na Sapucaí eu tenho macete. Quando o Betinho, o cavaquinista, me dá a cola e faz sinais pra mim… E eu levo na palma da mão uma ‘colinha’ também. Já aconteceu (de esquecer a letra) na quadra duas vezes comigo. Aquele samba do ano passado, ‘Sou Beija-Flor na alegria ou na dor’, chegou na hora e cantei ‘Sou Beija-Flor, e o meu tambor…’. Isso acontece. O Júlio (também cavaquinista) e o Betinho me ajudam na hora.
No papo bem-humorado, Neguinho da Beija-Flor falou ainda que, por ele, o álcool também seria uma droga ilícita, assim como a maconha, reforçando o posicionamento de que não é favorável à legalização das drogas psicoativas, mas aproveitou para brincar.
– Não sou a favor, não. Droga é droga. Sou nem a favor do álcool. O álcool é a desgraça do cara. Tem país que se for pego bêbado, num período de 7h da manhã até 7h da noite, você vai em cana. Quantas famílias foram destruídas por causa do álcool? Não sou convidado pra fazer comercial de cerveja também. Mas se me contratarem pra falar que bebo cerveja, eu bebo. Depende do contrato – declarou, fazendo graça.
– Meu arrependimento é não ter estudado mais. Tinha que ser um advogado, acho bonito. Elaine (Reis, mulher e empresária do artista), por exemplo, tem duas faculdades. Mas quando você é jovem, garoto, o estudo é tudo. Mas concluí o segundo grau na aeronáutica. O cara, quando quer, consegue. Não tem desculpa – opinou o intérprete, que recentemente lançou a música “Feio com Sorte’ e fez um clipe rodeado de várias mulheres.
E a entrevista não parou por aí. O intérprete ainda falou sobre o cancelamento de uma turnê que faria nos Estados Unidos 2001, cancelada em virtude do fatídico 11 de setembro, quando aviões foram sequestrados e botaram abaixo as chamadas Torres Gêmeas, no antigo complexo empresarial World Trade Center, em Nova York, outro foi lançado contra o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos EUA, no estado da Virgínia, e um quarto que, por uma revolta organizada por tripulantes e passageiros, acabou não chegando ao destino (investigações do FBI apontaram que o alvo seria a Casa Branca, a residência oficial do presidente da república, na época George W. Bush), ao cair num campo aberto na Pensilvânia. Aproximadamente três mil pessoas morreram nos ataques orquestrados pela Al-Qaeda e pelo ex-líder do grupo islâmico, Osama bin Laden.
– Eu ia embarcar no dia 13, mas dois dias antes me mostraram o que eu estava acontecendo nos Estados Unidos. Aí, o rapaz do meu escritório falou ‘Ih, tão invadindo os Estados Unidos’, aí eu vi aquele segundo avião batendo na torre, e deu aquilo tudo, aquela comoção e babou o meu show – lembrou o artista, que cantou na casa espetáculos “Bataclan”, em Paris, que também foi alvo de atentados terroristas, em novembro de 2015.
A baixa remuneração conferida aos sambistas também é algo que não fugiu das ideias trocadas durante a entrevista. Aproveitando o gancho, Neguinho mandou até um recado à Receita Federal:
– Acham que eu sou rico, mas não troco de carro há seis anos. Termina o período do Carnaval e adeus viola. Eu ainda tenho a sorte de, fora do período do Carnaval, ser solicitado. Mas tem amigos meus que só são chamados em época de Carnaval. Eu tô aqui praticamente sem dormir, tô indo pra Brasília, depois, no mesmo dia, vou pra China. Esse período é bom pros intérpretes, todo mundo com a agenda cheia. Mas passa essa fase, e não tem nada – lamentou Neguinho, que se revoltou com um cachê baixo oferecido por uma fabricante de carnes para atuar num comercial.
Ele também aproveitou a visita do Sambarazzo para dizer que nem pensa em aposentadoria e ainda para reverenciar a homenagem realizada pelo Governo Federal na última semana, que condecorou artistas que contribuíram com o desenvolvimento cultural do país.
– Nunca tive um milhão na conta. As contas não param. Deus me livre de parar de trabalhar. Tô falando isso pro Imposto de Renda ficar ligado. Vou até ver como vai ficar isso com meus advogados. Depois que eu botei o nome Neguinho da Beija-Flor, acham que eu sou rico. Mas eu tô há seis anos sem trocar de carro, e as dívidas não param. Na época do câncer, eu estava em tratamento e não parava de fazer show. O sambista, exceto alguns, como o caso do Zeca (Pagodinho, que tem um dos cachês mais altos do samba), é o menos remunerado do mundo da música. Tem cachê aí que chega a R$ 800 mil de quem não é sambista. Não sei se é porque o poder aquisitivo do público do samba menor. O samba sempre foi assim. Aí, o governo faz uma festa para celebrar Dona Ivone Lara, Donga, pessoas que criaram o samba, eu, que estava lá. Me considero até um bicão naquilo ali. Aí, o pessoal reclama: ‘Deram 15 mil pro Neguinho’, ‘Gastaram 500 mil…’. Ué, e o samba não merece? – indagou o cantor e compositor, que disse que só vai largar o microfone aos 104 anos de idade.
Voltando ao Carnaval, o cantor, perguntado se algum desfile de outra escola mexeu com as estruturas emocionais dele, ele citou o ano de 1993 para exaltar o memóravel “Explode coração”, do Salgueiro. Mesmo com as obrigações com a Beija-Flor, a motivação do cantor foi lançada pra baixo quando ele viu pela TV o frenesi proporcionado pela apresentação da vermelho e branco na Sapucaí, que, de fato, levou o caneco naquele ano.
– Já vi um desfile que não deu nem vontade de sair de casa. Só fui porque eu tinha o compromisso de ir e cantar. Foi o ‘Explode Coração’, do Salgueiro. Se meu não engano, o Salgueiro foi o terceiro a desfilar, e a Beija-Flor era a última. Quando o Salgueiro passou, Nossa Senhora, ganhou o Carnaval! Nós vamos só participar, não tem jeito. Toda a arquibancada, camarote, frisa, todos os setores da Sapucaí cantando o samba. Eu vou pra lá pra disputar o segundo lugar, pensei – recordou, aos risos, reconhecendo o trabalho da escola coirmã.
– Eu sou o rei da gafe. Tipo assim: ‘Você tá grávida de quantos meses?’, ‘Não tô grávida, não’. Um amigo meu apareceu como uma mulher linda, novinha, e eu falei: ‘Muito bonita sua neta’; ‘Que neta? É minha esposa’. É tudo assim – contou, às gargalhadas. Ele acrescentou que o único medo que tem na vida é dos ciúmes da mulher.
– Tenho medo da Elaine, ela não sai muito. Mas ela é mais ciumenta, já foi mais. Mas agora ela sentiu que não tem ninguém, que é a dona do coração –
Pra não ficar por baixo. Elaine retrucou e, claro, deu a última palavra:
– Ele tá querendo sair de bom moço e jogando a parte ruim toda pra mim – declarou.
Ano passado, Elaine e Neguinho foram flagrados pelas lentes do Sambarazzo enquanto curtiam uma tarde de amor no Dia dos Namorados.
Sambarazzo
Neguinho sobre câncer:
‘Uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida’
No último sábado, 12, Neguinho da Beija-Flor recebeu a galera do Sambarazzo em casa no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio, para a estreia – em grande estilo – do quadro “Sambarazzo Ao vivo”, que leva aos leitores do site, através da página oficial no Facebook, um bate-papo descontraído sempre com um convidado especial do samba e do Carnaval.
Neguinho da Beija-Flor com o cavaquinista Daniel Delavusca momentos
antes do “Sambarazzo Ao Vivo” começar – Foto: Sambarazzo
E o dono da voz mais famosa da Sapucaí abriu o jogo numa conversa que durou cerca de duas horas. Em pauta, assuntos diversos, entre eles o câncer no intestino que acometeu o autor do grito “Olha a Beija-Flor aí, gente”, em 2008. Apesar do risco de morrer na época, ele prefere olhar para o passadode trauma pelo lado positivo, como um enorme ganho à personalidade, que foi modificada após a doença.
– O câncer foi um mal que veio para o bem. Sem medo de errar, esse câncer veio pra consertar muita coisa. Tô pra dizer que foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Passei a ser mais paciente. Vejo as pessoas brigando no trânsito, porque fez uma pequena barbeiragem, chegam as vias de fato. Meu Deus do céu, o cara tá lá vendendo saúde e arrumando problema a troco de nada. O cara fez questão de uma bobagem… Com o câncer, você vê iss. Foi uma das boas coisas que Deus botou na minha vida esse câncer, sem brincadeira – sacramentou Neguinho, que se curou totalmente do câncer há um ano.
Falha nossa!
Neguinho revelou que torcia pra outro samba na final da Beija-Flor e, na hora H, não sabia a letra Sem fugir das perguntas mais polêmicas, Neguinho admitiu que na final de samba-enredo só decorou uma das obras finalistas, a dos compositores Diego Oliveira, Marcelo Valência, Menor da Beija-Flor, Julio Assis, Bakaninha e Sandro Chalub, derrotados na disputa. Apesar do esforço, o puxador ainda não sabe de cor o samba vitorioso, um dos mais festejados da safra do Carnaval 2017.
– Decorei mais ou menos. Para ser honesto, eu tinha decorado o samba 4 (dos autores acima citados). Foi uma disputa acirrada. Eu não tinha, dos quatro sambas que foram pra final, pela primeira vez um samba assim…O samba foi escolhido pelo povo mesmo. Não é pouco caso, não. É que são muitas músicas na cabeça’. Esse samba foi escolhido pela comunidade e no dia da final. Uns diziam que era o samba 4, o 11, ou o 10… O 10 (composto por Bruno Ribas e parceiros) foi escolhido pelo povo. Segundo os especialistas de Carnaval, é um dos sambas que vão acontecer em 2017 – afirmou.
Vale colar!
No embalo, o cantor revelou que leva uma ‘colinha’ para o carro de som na SapucaíNo dia do desfile, muitos sambas acabam surgindo à mente do veterano intérprete. É quando ele recorre a uma estratégia infalível para não “pagar mico” na Avenida:
– A comunidade já aprendeu o samba, e o intérprete não. Mas na Sapucaí eu tenho macete. Quando o Betinho, o cavaquinista, me dá a cola e faz sinais pra mim… E eu levo na palma da mão uma ‘colinha’ também. Já aconteceu (de esquecer a letra) na quadra duas vezes comigo. Aquele samba do ano passado, ‘Sou Beija-Flor na alegria ou na dor’, chegou na hora e cantei ‘Sou Beija-Flor, e o meu tambor…’. Isso acontece. O Júlio (também cavaquinista) e o Betinho me ajudam na hora.
O intérprete é contra a legalização da maconha e gostaria que o álcool fosse bebida proibida
No papo bem-humorado, Neguinho da Beija-Flor falou ainda que, por ele, o álcool também seria uma droga ilícita, assim como a maconha, reforçando o posicionamento de que não é favorável à legalização das drogas psicoativas, mas aproveitou para brincar.
– Não sou a favor, não. Droga é droga. Sou nem a favor do álcool. O álcool é a desgraça do cara. Tem país que se for pego bêbado, num período de 7h da manhã até 7h da noite, você vai em cana. Quantas famílias foram destruídas por causa do álcool? Não sou convidado pra fazer comercial de cerveja também. Mas se me contratarem pra falar que bebo cerveja, eu bebo. Depende do contrato – declarou, fazendo graça.
O dono da voz oficial da Beija-Flor queria ser advogado
Com o segundo grau completo, Neguinho chegou a dizer na entrevista que se arrepende de não ter estudado mais e revelou que a São Clemente é a segunda escola do coração.– Meu arrependimento é não ter estudado mais. Tinha que ser um advogado, acho bonito. Elaine (Reis, mulher e empresária do artista), por exemplo, tem duas faculdades. Mas quando você é jovem, garoto, o estudo é tudo. Mas concluí o segundo grau na aeronáutica. O cara, quando quer, consegue. Não tem desculpa – opinou o intérprete, que recentemente lançou a música “Feio com Sorte’ e fez um clipe rodeado de várias mulheres.
E a entrevista não parou por aí. O intérprete ainda falou sobre o cancelamento de uma turnê que faria nos Estados Unidos 2001, cancelada em virtude do fatídico 11 de setembro, quando aviões foram sequestrados e botaram abaixo as chamadas Torres Gêmeas, no antigo complexo empresarial World Trade Center, em Nova York, outro foi lançado contra o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos EUA, no estado da Virgínia, e um quarto que, por uma revolta organizada por tripulantes e passageiros, acabou não chegando ao destino (investigações do FBI apontaram que o alvo seria a Casa Branca, a residência oficial do presidente da república, na época George W. Bush), ao cair num campo aberto na Pensilvânia. Aproximadamente três mil pessoas morreram nos ataques orquestrados pela Al-Qaeda e pelo ex-líder do grupo islâmico, Osama bin Laden.
– Eu ia embarcar no dia 13, mas dois dias antes me mostraram o que eu estava acontecendo nos Estados Unidos. Aí, o rapaz do meu escritório falou ‘Ih, tão invadindo os Estados Unidos’, aí eu vi aquele segundo avião batendo na torre, e deu aquilo tudo, aquela comoção e babou o meu show – lembrou o artista, que cantou na casa espetáculos “Bataclan”, em Paris, que também foi alvo de atentados terroristas, em novembro de 2015.
“Acham que sou rico, mas não troco de carro há seis anos”
A baixa remuneração conferida aos sambistas também é algo que não fugiu das ideias trocadas durante a entrevista. Aproveitando o gancho, Neguinho mandou até um recado à Receita Federal:
– Acham que eu sou rico, mas não troco de carro há seis anos. Termina o período do Carnaval e adeus viola. Eu ainda tenho a sorte de, fora do período do Carnaval, ser solicitado. Mas tem amigos meus que só são chamados em época de Carnaval. Eu tô aqui praticamente sem dormir, tô indo pra Brasília, depois, no mesmo dia, vou pra China. Esse período é bom pros intérpretes, todo mundo com a agenda cheia. Mas passa essa fase, e não tem nada – lamentou Neguinho, que se revoltou com um cachê baixo oferecido por uma fabricante de carnes para atuar num comercial.
Aposentadoria? Só aos 104 anos
Ele também aproveitou a visita do Sambarazzo para dizer que nem pensa em aposentadoria e ainda para reverenciar a homenagem realizada pelo Governo Federal na última semana, que condecorou artistas que contribuíram com o desenvolvimento cultural do país.– Nunca tive um milhão na conta. As contas não param. Deus me livre de parar de trabalhar. Tô falando isso pro Imposto de Renda ficar ligado. Vou até ver como vai ficar isso com meus advogados. Depois que eu botei o nome Neguinho da Beija-Flor, acham que eu sou rico. Mas eu tô há seis anos sem trocar de carro, e as dívidas não param. Na época do câncer, eu estava em tratamento e não parava de fazer show. O sambista, exceto alguns, como o caso do Zeca (Pagodinho, que tem um dos cachês mais altos do samba), é o menos remunerado do mundo da música. Tem cachê aí que chega a R$ 800 mil de quem não é sambista. Não sei se é porque o poder aquisitivo do público do samba menor. O samba sempre foi assim. Aí, o governo faz uma festa para celebrar Dona Ivone Lara, Donga, pessoas que criaram o samba, eu, que estava lá. Me considero até um bicão naquilo ali. Aí, o pessoal reclama: ‘Deram 15 mil pro Neguinho’, ‘Gastaram 500 mil…’. Ué, e o samba não merece? – indagou o cantor e compositor, que disse que só vai largar o microfone aos 104 anos de idade.
O cantor foi a Brasília receber homenagem pelos serviços prestados à cultura. Na foto, ele beija as mãos da primeira-dama Marcela Temer, que homenageou o intérprete ao lado do presidente da república Michel Temer – Foto: Agência Brasil
Explode coração! Desfile do Salgueiro em 1993 fez cantor perder tesão de ir à Sapucaí
Voltando ao Carnaval, o cantor, perguntado se algum desfile de outra escola mexeu com as estruturas emocionais dele, ele citou o ano de 1993 para exaltar o memóravel “Explode coração”, do Salgueiro. Mesmo com as obrigações com a Beija-Flor, a motivação do cantor foi lançada pra baixo quando ele viu pela TV o frenesi proporcionado pela apresentação da vermelho e branco na Sapucaí, que, de fato, levou o caneco naquele ano.
– Já vi um desfile que não deu nem vontade de sair de casa. Só fui porque eu tinha o compromisso de ir e cantar. Foi o ‘Explode Coração’, do Salgueiro. Se meu não engano, o Salgueiro foi o terceiro a desfilar, e a Beija-Flor era a última. Quando o Salgueiro passou, Nossa Senhora, ganhou o Carnaval! Nós vamos só participar, não tem jeito. Toda a arquibancada, camarote, frisa, todos os setores da Sapucaí cantando o samba. Eu vou pra lá pra disputar o segundo lugar, pensei – recordou, aos risos, reconhecendo o trabalho da escola coirmã.
Rei das gafes!
Atenta a cada resposta de Neguinho da Beija-Flor, a mulher dele, a empresária e advogada Elaine Reis, não deixou de dedurar as costumeiras gafes do amado. O cantor, por outro lado, não deixou de reconhecer suas próprias mancadas.– Eu sou o rei da gafe. Tipo assim: ‘Você tá grávida de quantos meses?’, ‘Não tô grávida, não’. Um amigo meu apareceu como uma mulher linda, novinha, e eu falei: ‘Muito bonita sua neta’; ‘Que neta? É minha esposa’. É tudo assim – contou, às gargalhadas. Ele acrescentou que o único medo que tem na vida é dos ciúmes da mulher.
– Tenho medo da Elaine, ela não sai muito. Mas ela é mais ciumenta, já foi mais. Mas agora ela sentiu que não tem ninguém, que é a dona do coração –
Pra não ficar por baixo. Elaine retrucou e, claro, deu a última palavra:
– Ele tá querendo sair de bom moço e jogando a parte ruim toda pra mim – declarou.
Ano passado, Elaine e Neguinho foram flagrados pelas lentes do Sambarazzo enquanto curtiam uma tarde de amor no Dia dos Namorados.


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